A síndrome pouco conhecida associada a remédios populares
Sintomas estranhos depois de começar um remédio?
Imagine olhar para as próprias mãos e, de repente, elas parecerem gigantes. Ou perceber que as paredes estão se afastando, como se você tivesse entrado num espelho de parque de diversões. Sua visão não está embaçada, você não está delirando nem "perdendo a sanidade" — mas pode estar vivenciando um dos efeitos colaterais mais perturbadores já descritos na neurologia moderna. E o mais preocupante: ele pode estar ligado a medicamentos amplamente prescritos.
Quando o cérebro altera a percepção da realidade
Existe uma condição chamada Síndrome de Alice no País das Maravilhas (AIWS). Ela não é ficção: é um distúrbio neurológico que altera temporariamente a forma como o cérebro processa espaço, tamanho e tempo. Durante um episódio, objetos podem parecer muito maiores ou menores do que são, distâncias parecem distorcidas, formas ficam alongadas ou comprimidas, e até a percepção do tempo pode mudar.
Um detalhe importante: na maioria dos casos, a pessoa sabe que aquilo não é real — e justamente por isso a experiência pode ser tão angustiante.
O que os medicamentos têm a ver com isso?
Um levantamento recente analisou registros da base internacional de farmacovigilância da Organização Mundial da Saúde (VigiBase), que reúne notificações de mais de 130 países. Entre os relatos associados à síndrome, alguns medicamentos apareceram com mais frequência:
- Montelucaste (usado para asma e alergias)
- Sertralina (antidepressivo bastante prescrito)
- Topiramato (anticonvulsivante)
- Aripiprazol (antipsicótico atípico)
A hipótese é que esses fármacos possam interferir temporariamente em regiões cerebrais responsáveis pelo processamento visual e pela orientação espacial. Em alguns relatos, os sintomas surgiram após as primeiras doses. Isso não significa que todos que usam esses medicamentos terão o efeito — mas reforça que nenhum remédio é isento de risco neurológico.
O que fazer se você usa algum deles?
Se você ou alguém próximo apresenta episódios de distorção visual, sensação de irrealidade ou alterações estranhas de percepção, o primeiro passo é conversar com o médico que prescreveu — jamais interromper por conta própria. Em alguns casos, ajustar a dose ou trocar a medicação resolve o quadro. Revisar periodicamente o que você toma pode evitar experiências que ninguém deveria passar.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.


